Lenda Urbana de Belém - Severa Romana
material trabalhado com os alunos em sala das turmas 831, 832, 731 e 732

- Severa e o marido, o soldado Pedro Cavalcante de Oliveira moravam
onde hoje se situa a rua João Balby, nº 81, no trecho entre a atual
avenida Alcindo Cacela e a travessa 14 de Março, em modesta barraca, que
funcionava como uma espécie de pensão dividida em vários cômodos que
eram alugados.
- Aos 19 anos e grávida de cerca de sete meses, Severa Romana estava
casada há quase dois anos quando ela e o marido concordaram em fornecer
refeições, mediante módico pagamento, ao cabo Antônio Ferreira dos
Santos, transferido do Ceará. Homem impulsivo e primário, logo se
apaixonou pela jovem, grávida pela primeira vez, que repeliu
energicamente as propostas do militar. Às 19 horas do dia 2 de julho de
1900, valendo-se da circunstância de estar o dono da casa de sentinela
no quartel, Antônio foi à barraca do João Balby e, repelido mais uma
vez, ameaçou de usar a violência para alcançar o seu intento. De nada
valeram as súplicas e os gritos de socorro da vítima. Armado de navalha,
o cabo atacou cruelmente a moça, golpeando-as no seio e no pescoço,
degolando-a.
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- Fonte:
- http://passeandopelosobrenatural.blogspot.com.br/2012/11/a-lenda-da-severa-romana.html
Documentos Interessantes: O Processo Severa Romana
De
tantas “Beléns” e personagens que habitam o Centro de Memória da
Amazônia/UFPA, encontramos Dona Ferreira que morava na Belém de 1900. Um
tempo em que a cidade respirava ares de mudanças, que incluía profundas
alterações na sua malha urbana e na população. Uma onda de nordestinos
continuava chegando, principalmente cearenses, fugindo dos rigores da
seca e acreditando na possibilidade de construir uma vida sustentada
pela riqueza gerada pelo “ouro negro”.
Entre tantas
moradas dessa Belém, tinha uma casa situada na rua João Balbi, número
81, que trazia na sua estrutura domiciliar e na sua arrumação doméstica,
as marcas das transformações urbanas. Lá moravam várias famílias, entre
elas: a de Dona Ferreira e seu marido; a do cabo do exército, o
cearense Antonio; e a de outra cearense, Dona Gadelha. Embora vivessem
no mesmo espaço domiciliar (e, talvez, por isso), as relações entre tais
pessoas eram marcadas por tensões e por paixões. Até que, no dia 02 de
julho de 1900, essas tensões explodiram. Dona Ferreira era responsável
por fazer a comida dos moradores da casa. Na ocasião do almoço, quando
fora servir a refeição ao cabo Antonio, este se recusou a comer,
reclamando do tempero da comida – segundo ele, faltava cebola e azeite. A
discussão fora testemunhada por uma terceira pessoa, Dona Gadelha, que
se recusou a assistir a confusão. Cansada da briga, Dona Gadelha se
retirou assustada para o quintal. Nesse instante, ouviu os gritos
aflitos de Dona Ferreira. Correndo para o interior da casa, encontrou a
cozinheira deitada de bruços no chão e imóvel. A primeira impressão da
testemunha foi que a vítima havia levado uns safanões, mas ao chegar
mais perto viu o sangue escorrendo das mãos, do pescoço degolado e do
peito. Dona Ferreira estava morta. O assassino fora visto correndo na
direção da Tv. 14 de Março e perseguido por uma pequena multidão
entusiasmada em prendê-lo. O criminoso se refugiou no XV Batalhão, onde
se entregou e confessou o crime. A multidão que o perseguira não
esqueceu o crime e passou a chamá-lo de “fera fardada”.
No
dia de seu julgamento (27/07/1900), a multidão estava de prontidão e se
encarregou de repetir, efusivamente, a alcunha; e da turba alvoroçada
pedras cruzaram o ar para alcançar o criminoso. Essa história, e tantas
outras partes do passado da Amazônia, encontra-se na documentação
criminal arquivada no Centro de Memória da Amazônia. Quantos mortos,
quantas paixões, quantos medos, quantas cidades, quantas histórias
aguardam um curioso e aguçado olhar para serem desveladas? Quantos
passados podemos criar? Dona Ferreira, a assassinada, era uma pessoa
bastante conhecida por vocês. Seu nome completo era Dona Severa Romana
Ferreira, mulher que, até hoje, merece a devoção de tantos e por tantos.
A fé e o tempo se encontram!
http://bloggerdocma.blogspot.com.br/2011/05/documentos-interessantes-o-processo.html
Assista o Curta metragem acessando o link abaixo:
Filme resultado do II Prêmio Estímulo para Produção de Filmes de Curta Metragem da Prefeitura Municipal de Belém - FUMBEL.
Um filme de Bio Souza, Sue Pavão, Rael Helyan.
Elenco: Cláudio Marinho, Lúcio Martins, Luíza de Abreu, Natal Silva como "Vizinha" e Ladyane Rodrigues como "Severa Romana".
Baseado na obra de Nazareno Tourinho.
"Severa
Romana" tem direção de Bio Souza, Sue Pavão e Rael Helyan e conta a
história da dona de casa que se tornou uma "santa popular" após ser
assassinada por um militar que tentou estuprá-la. O roteiro representa a
cidade histórica de Belém e usa a linguagem ficcional para tratar de
uma temática universal: violência e religiosidade. A ficção da tela é
uma adaptação do texto do dramaturgo paraense Nazareno Tourinho. No
elenco estão: Ladyane Rodrigues (Severa Romana), Luiza de Abreu (Dona da
Pensão), Natal Silva (vizinha de Severa), Cláudio Marinho (Soldado
Pedro, marido de Severa) e Lúcio Martins (Cabo Ferreira, assassino de
Severa).